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Setor mineral brasileiro foi vital para a sustentação da economia em 2020.


Publicado pelo site Conexão Mineral do IBRAM em 05/05/2021.


Em 2020, a mineração industrial elevou a quantia recolhida em tributos, em relação a 2019; viu o faturamento crescer, inclusive, em estados como Bahia, Goiás e Mato Grosso, além dos tradicionais produtores de minérios Pará e Minas Gerais; elevou para US$ 38 bilhões o valor previsto para investir no Brasil até 2024; aumentou o volume de produção comercializada e também o nível das exportações, especialmente em dólar; expandiu também sua contribuição para manter positivo o saldo da balança comercial brasileira; além disso, de janeiro a setembro dados oficiais mostram que o setor contratou cerca de 5 mil trabalhadores, o que gera empregos indiretos da ordem de 1 para 11 ao longo das cadeias produtivas. A variação cambial e a valorização dos preços das commodities minerais no mercado internacionais foram fortes influenciadoras do desempenho.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), que reúne mineradoras responsáveis por mais de 85% da produção nacional. O IBRAM apresentou informações referentes ao 4º trimestre e também o consolidado de 2020. Acesse a íntegra no Portal da Mineração.

O instituto considera que, embora o balanço do setor em 2020 tenha sido positivo, não há espaço para comemoração, afinal outros segmentos produtivos observam efeitos nocivos da crise econômica alimentada pela pandemia que, por sua vez, ainda causa transtornos e mortes entre a população. Segundo Flávio Ottoni Penido, diretor-presidente do IBRAM, “em 2020 a mineração buscou fazer sua parte para ajudar a proteger a população, prestar sua solidariedade e contribuições para movimentar a economia”.

Wilson Brumer, presidente do Conselho Deliberativo do IBRAM, completa: “em 2020 a mineração soube proteger seus empregados e parte das comunidades próximas e seguiu produzindo, o que resultou em divisas importantes para o Brasil, além de ter gerado empregos e estimulado outros benefícios socioeconômicos à população”.

Os dois dirigentes dizem que a vacinação da população em massa, associada à manutenção de medidas protetivas (home office para diversas funções e grupos de risco, distanciamento social, uso de máscaras em todos os ambientes, higienização, entre outras), é a melhor estratégia para o Brasil mudar o cenário preocupante causado pela pandemia do novo coronavírus. Outro ponto importante, destacam, é o fato de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter anunciado a aprovação emergencial para as primeiras vacinas, com base em evidências científicas.

Variação de câmbio e de preços influenciam faturamento

Em 2020, a variação cambial e a valorização dos preços internacionais de minérios foram fortes influenciadores do desempenho do comércio exterior do setor mineral, informa o IBRAM. Tanto é assim que a produção comercializada em toneladas cresceu pouco (2,5%), passando de 985 milhões de toneladas de minérios para 1 bilhão de toneladas estimadas. No consolidado de 2020 o faturamento do setor foi de R$ 209 bilhões e em 2019 R$ 153 bilhões, uma variação de 36%. No 4º trimestre atingiu R$ 83 bilhões ante quase R$ 51 bilhões no 3º trimestre (63,6% a mais).

A Bahia viu o faturamento de sua produção mineral crescer 62% desde 2019; o mesmo movimento positivo se deu em Mato Grosso (58%); no Pará (45%); em Minas Gerais (31%); em Goiás (17%); em São Paulo (7%). Em 2020, o minério de ferro contribuiu com 66% do faturamento total do setor e o ouro com 11%.

O ouro foi a substância mineral que apresentou elevação (em %) no faturamento na comparação entre 2020 e 2019: 76%, passando de R$ 13 bilhões para R$ 23 bilhões, devido à elevação do preço da commodity e ao aumento de produção estimulada pela elevação da demanda.

O minério de ferro vem em seguida com 39% de crescimento anual, indo de quase R$ 100 bilhões a cerca de R$ 139 bilhões. O cobre registrou elevação de 35%, passando de R$ 10 bilhões a quase R$ 14 bilhões. O granito observou elevação de 25% no faturamento, indo de R$ 2,5 bilhões a mais de R$ 3 bilhões. O faturamento da produção de calcário dolomítico cresceu 12%, passando de R$ 3,7 bilhões para R$ 4,2 bilhões. O da bauxita evoluiu 6%, de R$ 4,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões.

Mineração expande recolhimento de tributos em 36%.

Se 2020 resultou em bom desempenho da indústria mineral, isso também significa que o setor recolheu mais tributos: 36% a mais do que em 2019. Em 2020, o setor repassou aos cofres públicos R$ 72 bilhões ante R$ 53 bilhões em 2019, incluindo royalty (CFEM – compensação pela extração mineral). Na comparação entre o total recolhido no 4º trimestre e no 3º trimestre, houve evolução de quase 65%: de R$ 17,5 bilhões para R$ 29 bilhões. Em termos de CFEM, o setor recolheu um total de R$ 6 bilhões em 2020 ou 35% a mais do que em 2019.

Contribuição do saldo mineral para saldo da balança comercial foi de 64%

Foi decisiva a contribuição do setor mineral para manter positivo o saldo do comércio exterior brasileiro em 2020. O saldo mineral aumentou 31%, passando de quase US$ 25 bilhões em 2019 para mais de US$ 32 bilhões em 2020. Assim, o saldo mineral contribuiu com 64% do saldo Brasil em 2020; em 2019 o percentual era menor do que 52%.

Para este resultado do saldo mineral em 2020 foi fundamental a retomada da economia chinesa e sua influência nas exportações brasileiras, com a crescente demanda e consequente pressão sobre o preço das commodities minerais, devido ao risco de as ofertas minerais serem menores do que as demandas, principalmente as demandas chinesas.

Na comparação anual, as exportações de minérios foram quase 11% maiores em 2020, em dólar, do que em 2019: de US$ 33 bilhões para quase US$ 37 bilhões. Em toneladas houve acréscimo de 2,4% na exportação de minérios de 2019 para 2020: de 362 milhões de toneladas para 371 milhões de toneladas.

Em 2020 as exportações de minério de ferro foram 16% superiores, em dólar, ao total de 2019 (cerca de US$26 bilhões ante cerca de US$ 22 bilhões), e praticamente estáveis em volume: apenas 0,3% de crescimento, passando de 340,5 milhões de toneladas para 341,6 milhões de toneladas.

No ano passado, as exportações de ouro cresceram 36% em comparação com 2019: US$ 3,6 bilhões para quase US$ 5 bilhões. Em volume houve crescimento de 7,6%, de 92 toneladas para 99 toneladas em 2020.

Na comparação entre 2020 e 2019, as importações caíram 50%, de US$ 8 bilhões em 2019 para US$ 4 bilhões em 2020. Houve queda também em volume importado: de 41 milhões de toneladas em 2019 para 28,5 milhões de toneladas em 2020.

Aumentam investimentos da mineração

O ano de 2020 começou com previsão de investimentos de US$ 34,5 bilhões para o período 2020-2024. No 2º trimestre o valor previsto foi elevado para mais de US$ 37 bilhões e desde o 3º trimestre o valor previsto de investimentos para 2020-2024 foi elevado em cerca de US$ 1 bilhão, totalizando agora US$ 38 bilhões (dados atualizados pelo IBRAM em dezembro de 2020). Foram constatados, recentemente, novos projetos para substâncias como manganês e minério de ferro.

No 3º trimestre de 2020 a previsão era que Minas Gerais seria o destino de US$ 12,5 bilhões. Agora o valor aumentou para R$ 13,2 bilhões (35% do total). A Bahia receberá US$ 10,5 bilhões (28%). A previsão para o Pará aumentou em cerca de US$ 200 milhões desde então, passando de US$ 8,6 bilhões para US$ 8,8 bilhões (23%). Os outros estados têm previstos investimentos da ordem de US$ 5,5 bilhões (14%).

Os maiores aportes serão para mineração de ferro: US$ 15,5 bilhões ou quase 41%; bauxita: 21,5%; fertilizantes: cerca de 17%. Cabe destacar a parcela, que deve aumentar ainda mais, em relação aos investimentos previstos para o descomissionamento de barragens a montante e soluções tecnológicas para disposição a seco de rejeitos. Até o momento, os valores previstos são da ordem de US$ 2,2 bilhões para este fim – já incluídos nos US$ 38 bilhões informados para os investimentos totais do setor.

De janeiro a setembro de 2020, o setor contratou cerca de 5 mil trabalhadores. Esse número é bastante representativo, uma vez que a indústria possui fator multiplicador de 1:11. Em setembro o setor empregava diretamente mais de 180 mil trabalhadores diretamente.


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